Publicado no zine My Cool.

O artista Renato Lopes é quem inaugura o pôster colecionável do zine My Cool. Ex-morador de São Paulo, ele vive em Lisboa há dois anos, onde é diretor de criação em uma agência bem bacana, a Leo Burnett.

Para fazer a ilustração do verso, Renato misturou o desenho à mão livre com colorização em computador. “Diria que representa a busca da felicidade de modo equilibrado”, defendeu o autor, deixando a gente bem livre para imaginar.

Embora a arte sempre tenha permeado sua história, o gajo já se aventurou trabalhando em frios terminais bancários e até nos cálculos da engenharia. Mesmo com muitos cursos no currículo, ele prefere se creditar como autodidata. “Desenho desde muito cedo. Lembro de sempre estar desenhando, nos livros, nos cadernos, extrapolando para a carteira da escola, lousa, paredes, o que me causou mais problemas do que reconhecimento”, contou o precoce.

Renato queria era pôr a mão na massa.  Ainda no Brasil, embarcou na publicidade e na capital lusitana encontrou o seu espaço: “Na Europa a arte é mais exposta e de várias formas, o que é bastante inspirador”.  Calma, não só o velho mundo tem o privilégio de suas obras. Se tudo der certo, a Berarda, obra mais leiteira do artista, estará nas ruas de São Paulo durante a Cow Parade.

O trabalho do moço brinca com o cotidiano, trazendo um ar de crítica social apimentada por doses de bom humor. Ele desenha sem expectativas e diz que tudo pode mudar no meio do processo. “É importante que o desenho passe uma mensagem e se ele provocar um sorriso, nem que seja interno, já vale bastante à pena”. Suas cores, sempre presentes e muito ricas, ele considera um dilema: ”Já estraguei bastante desenho tentando pintar, hoje com o computador fica mais fácil arriscar”. A tipografia também é um elemento importante para Renato, que com frequência dá voz às suas imagens.

Desenhos que conversam com o público deveriam vir também com trilha sonora. Entre ecletismo e charme, ele não hesitou em se voltar para o Brasil e escolher um dos Chicos, seja o Buarque, ou o Science para musicar o seu trabalho: “Sempre lembro de ‘Não sonho mais’, do mestre Chico Buarque, mas podia ser também algo do Mundo Livre S/A”.

Confira o portfólio de Renato Lopes em http://www.renatolopes.eu